Campo Grande/MS, 16 de abril de 2026.
Artigo por: André Borges; advogado e professor de direito constitucional;
Deu vontade de falar de um amigo e grande advogado, verdadeira inspiração.
Falar de Rene Siufi é falar de uma advocacia que atravessa o tempo sem perder densidade, identidade e respeito. Em um cenário jurídico cada vez mais veloz, marcado por transformações constantes e pela busca, muitas vezes imediata, por visibilidade, sua trajetória se impõe de maneira distinta: pela permanência. São mais de quarenta anos de exercício contínuo da advocacia criminal, construídos não em torno de holofotes, mas no cotidiano dos tribunais, na consistência das sustentações e na confiança sedimentada ao longo de décadas.
Rene Siufi tornou-se, com o tempo, uma verdadeira referência na advocacia criminal, especialmente no Tribunal do Júri, espaço onde o direito ganha corpo diante da sociedade e onde a palavra, quando bem utilizada, pode ser decisiva. Ali, consolidou um estilo próprio, distante de excessos ou teatralizações desnecessárias. Sua atuação é marcada pela firmeza técnica, pela clareza de raciocínio e por uma presença que não precisa se impor pelo volume, mas pela substância. É o tipo de advogado que compreende que o convencimento não está no espetáculo, mas na coerência entre argumento, postura e credibilidade.
Sua carreira foi construída de forma sólida, quase silenciosa, como são as trajetórias que realmente se sustentam. Em um meio frequentemente permeado por vaidades, Rene Siufi optou pela discrição – e fez disso uma virtude profissional. O respeito que conquistou não deriva de estratégias de exposição, mas da repetição consistente de um trabalho bem feito, dia após dia, audiência após audiência, júri após júri. Esse tipo de reconhecimento não se improvisa, tampouco se acelera: ele se consolida.
Mas reduzir Rene Siufi ao advogado seria insuficiente. Há nele um homem de traços marcantes, descrito como culto, curioso e dotado de um humor refinado, que se revela sobretudo nos círculos mais íntimos. Não é de muitas palavras em ambientes amplos, tampouco alguém que se entregue facilmente à convivência superficial. Seus vínculos são poucos, mas profundos, construídos com lealdade e critério. Essa forma de se relacionar com o mundo dialoga diretamente com sua forma de exercer a profissão: com densidade, discrição e autenticidade.
Há também uma dimensão essencial de sua vida que ajuda a compreender essa trajetória toda: a família. Rene Siuficonstruiu, ao longo dos anos, uma base afetiva sólida, daquelas que sustentam não apenas o homem, mas também o profissional. Ao seu lado, sua esposa, Olga Siufi, descrita como elegante e adorável, com quem compartilha uma vida de cumplicidade. Seus filhos refletem valores que se alinham à sua própria história: Renzo Siufi, promotor de justiça, e Raquel Siufi, professora de redação de destaque nacional, ambos reconhecidos pelo trabalho, seriedade e decência. E há ainda os netos, presença que acrescenta leveza e continuidade, tratados por ele com carinho genuíno e um afeto que transparece na convivência.
Sua atuação também se estendeu ao campo institucional, ao ter presidido a Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul, posição que reforça não apenas sua liderança, mas seu compromisso com a advocacia enquanto instituição. Mais do que representar uma classe, assumiu o papel de guardião de princípios fundamentais, como a ética, a independência e as prerrogativas profissionais, elementos indispensáveis para o exercício pleno da defesa.
Aplaudir Rene Siufi é, portanto, mais do que reconhecer uma carreira longa. É reconhecer uma forma de estar na advocacia. É valorizar um profissional que construiu seu nome com base na consistência, na técnica e na integridade. Em um tempo em que muitos buscam atalhos, sua trajetória reafirma a importância do caminho percorrido com rigor e propósito.
Para as novas gerações, sua história funciona como um norte. Mostra que a verdadeira relevância não está necessariamente na exposição, mas na solidez. Que é possível alcançar reconhecimento sem abrir mão da sobriedade. E que o direito, especialmente no campo penal, exige não apenas conhecimento, mas postura, caráter e responsabilidade.
Rene Siufi é, por tudo isso, mais do que um advogado experiente. É uma referência viva de uma advocacia que honra sua tradição sem se tornar obsoleta, que se adapta sem perder sua essência e que inspira não pelo discurso, mas pelo exemplo. Celebrá-lo é, em última análise, reconhecer que a excelência profissional se constrói no tempo – e que algumas trajetórias, pela sua consistência, acabam por se tornar permanentes.







