TRAGÉDIA FAMILIAR É CONFUNDIDA COM FEMINICÍDIO, APONTA DEFESA.

Campo Grande/MS, 05 de novembro de 2025.

Por redação.

Em 2023, uma tragédia abalou a vida de LAF e de sua família. Segundo ele, em meio a uma discussão motivada pelo pedido da esposa para que não fosse a outra fazenda naquele dia, ocorreu um ato impensado e imprudente. No calor da emoção, acreditando que a arma não funcionava e desejando apenas dar um susto, acabou por acionar o gatilho, resultando fatalmente no disparo que atingiu sua companheira. Desesperado, pensou em tirar a própria vida, mas desistiu ao ouvir — segundo relatou — a voz de Deus. No mesmo dia, comunicou o fato ao filho, pediu perdão, deixou a arma no local e, no primeiro dia útil seguinte, apresentou-se espontaneamente à Delegacia.

Apesar de seu arrependimento, confissão e imediata colaboração com a Justiça, a investigação seguiu a linha de feminicídio, desconsiderando a ausência de elementos mínimos que indicassem dolo ou violência doméstica. Inicialmente, os familiares da vítima afirmaram jamais terem presenciado qualquer tipo de agressão. No entanto, após a comoção social e o espírito de vingança, alguns passaram a supor — sem base fática — que haveria violência psicológica e patrimonial, ainda que todos reconhecessem que a vítima jamais relatou nada e que nunca presenciaram agressões.

Durante a instrução processual, a defesa desfez todas as narrativas artificiais criadas no inquérito. Foi provado, de forma cabal, que não havia vestígio de violência física, psicológica ou patrimonial. As testemunhas mais próximas confirmaram que, em mais de 30 anos de casamento, nunca presenciaram qualquer ato violento. Pessoas que conviveram com o casal afirmaram tratar-se de uma relação de amor, respeito e fé, marcada pela atuação conjunta na igreja e pela admiração mútua.

A equipe de defesa — liderada pelo Dr. Alex Viana, ao lado das Dras. Herika Ratto, Fernanda Bourdokan e Ellen Magro — demonstrou ainda, por meio das mensagens de celular entre o casal, o tom de carinho e parceria, comprovando que a vítima era independente, atuante e livre: dirigia, administrava finanças, frequentava a igreja e liderava grupos religiosos. Nenhuma prova corroborou a tese de feminicídio.

Mesmo diante da clareza das provas, o Ministério Público insistiu na tese acusatória. O júri, após mais de 15 horas de sessão e intensos debates, acabou acolhendo a acusação de feminicídio, fixando a pena mínima de 12 anos de reclusão, reconhecendo, na prática, a ausência de agravantes concretos. O Tribunal de Justiça, sensível ao grave estado de saúde do réu, manteve a prisão domiciliar, reconhecendo sua condição de vulnerabilidade e a desumanidade das condições carcerárias enfrentadas.

Em entrevista, o Dr. Alex Viana declarou:

Foi um trabalho exaustivo. Buscamos a prevalência da verdade, mas infelizmente ainda se confunde feminicídio com femicídio. Demonstramos que não havia prova de violência doméstica e que tudo indicava tratar-se de um homicídio culposo. Respeitamos a decisão dos jurados, mas recorreremos, porque acreditamos que a verdade prevalecerá.”

O caso agora segue ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, onde a defesa espera que a Justiça reconheça o que as provas sempre mostraram: que LAF não é um assassino, mas um homem devastado por um trágico acidente.