Campo Grande/MS, 11 de setembro de 2025.
Artigo por Tiago Bana Franco.
Sempre desconfiei das declarações de amor feitas em público, porque a mim me soam um tantinho falsas. Quando me deparo com uma postagem no Instagram em que vejo alguém dizer que ama loucamente, que não sabe o que faria da vida sem sua namorada (ou namorado, não sejamos machistas!), que fulano é tudo para si, logo me vem à cabeça a ideia de que por trás dessas efusivas e estonteantes declarações de amor eterno existe um pecadilho que quer ser exposto, um rabo cuja saia está teimando em dar nas vistas, uma traição a ser descoberta na próxima esquina.
Os amores para mim sempre foram tranquilos. Sem arroubos nem chiliques. Calmos. Cuidadosos. Duradouros. E digo isso não sem uma pontinha de inveja, porque realmente deve ser muito gratificante ver alguém tão apaixonado por si que não consiga parar de gritar palavras apaixonadas, elegias de amor, por mais mentirosas que sejam. Há inclusive quem receba para fingir-se enamorado. E eis aí a profissão que dizem ser a mais velha do mundo.
Ontem, e aqui entro no ponto nodal desse breve comentário, o Min. Fux votou por longas horas ao julgar a acusação de acordo com a qual Bolsonaro e membros do seu governo tentaram dar um golpe armado na pujante democracia brasileira. Um voto calmo. Minucioso. Em que se vêem trechos e mais trechos de uma longa e bem tratada relação amorosa com o Direito. Cuidadoso como há de ser um vero amor.
Aos gritos apaixonados de amor à Democracia, que não deixam de ser também declarações de amor a si mesmos feitas por Moraes e Dino, porque se querem as personificações do regime democrático, o Min. Fux lançou uma séria análise feita ponto a ponto da denúncia, iniciando pela incompetência do Supremo, passando pelo cerceamento da defesa, para concluir pela absolvição de cinco dos sete réus de todos os crimes de que acusados.
O voto de Fux é longo. Não caberia uma análise jurídica agora, no calor do julgamento. O que me cabe dizer é muito mais fácil, porque só a mim próprio diz respeito: ainda permaneço com a sensação de que quem muito grita amar alguém pode na verdade esconder uma traição que está prestes a ser descoberta.







