Campo Grande, 23 de julho de 2025.
Por redação.
A defesa do arquiteto Thiago Cassiano, um dos réus na operação “Grilagem de Papel”, apresentou ao juízo da Vara Criminal de Coxim (MS) um laudo contábil que contesta os valores atribuídos a ele na denúncia oferecida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Segundo a acusação, Cassiano teria movimentado mais de R$ 1,5 milhão entre 2023 e 2024, sendo R$ 641 mil creditados diretamente em sua conta bancária. O laudo técnico apresentado pela defesa, assinada pelo advogado Alex Viana, aponta que os valores efetivamente recebidos de terceiros somam R$ 138.792,65, além de 27 depósitos não identificados no valor total de R$ 42.985,00. O montante total de R$ 181.777,65 representaria, de acordo com os cálculos apresentados, uma diferença de aproximadamente 72% em relação ao que foi descrito na denúncia.
A perícia também indica uma média mensal de recebimentos de R$ 7.574,08, valor que, segundo a defesa, estaria relacionado à prestação de serviços técnicos em projetos arquitetônicos desenvolvidos em Campo Grande e em municípios do norte de Mato Grosso do Sul.

Em manifestação datada de 13 de junho de 2025, o Ministério Público reconheceu que não foi realizada perícia contábil no curso das investigações. Para o advogado Alex Viana, essa ausência compromete a consistência dos dados utilizados na denúncia.
O laudo apresentado ainda afirma que não houve movimentações financeiras entre Cassiano e os demais réus no período de 2020 a 2024. A defesa sustenta que valores recebidos pelo arquiteto se referem a atividades como georreferenciamento e levantamento topográfico.
Thiago Cassiano já atuou em projetos públicos ligados à Regularização Fundiária Urbana (REURB) e, conforme a defesa, utilizou procedimentos técnicos semelhantes aos aplicados pela Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul (AGEHAB). O advogado também alega que o arquiteto colaborou com as investigações, apresentou a documentação solicitada e possui certidões que indicam não ter imóveis registrados em seu nome no estado.
O processo segue em tramitação na Vara Criminal de Coxim. A defesa aguarda a análise do material pelo Judiciário.







